VOCÊ CONHECE O HTLV I?

Por adaptação do Dr. Leonardo Ferreira Bianquini - 20/02/2019

Estima-se que 20 milhões de pessoas estejam infectadas pelo HTLV-1 no mundo, com maior endemicidade no sudoeste do Japão, Caribe, África, Oriente Médio, Melanésia algumas regiões da América do Sul. No Brasil, a estimativa é de que 2,5 milhões de indivíduos estejam infectados, contribuindo com o maior número absoluto de soropositivos no mundo, com maior prevalência nos estados do Maranhão, Bahia, Pará e Pernambuco.
O HTLV-1 é transmitido por três vias: sexual, sanguínea e perinatal. A eficiência de transmissão do vírus por via sexual é muito maior do homem para a mulher (60 % vs. 4 %). A maioria dos pacientes é infectado na infância, principalmente pelo aleitamento materno.
Calcula-se que até 5% dos indivíduos infectados pelo HTLV-1 irão desenvolver alguma doença, principalmente LLcTA (linfoma/leucemia de células T do adulto) ou HAM-TSP (paraparesia espástica tropical) na idade adulta, porém a grande maioria permaneceria assintomática. No entanto, mais recentemente, tem se documentado que a infecção pelo pode desencadear várias patologias como artropatia, polimiosite, doença periodontal, síndrome sicca, além de várias anomalias neurológicas como disfunção erétil, bexiga hiperativa e neuropatia periférica.
O HTLV-1 é um potente modificador da resposta imune no ser humano, ao infectar preferencialmente linfócitos T CD4+, promovendo ativação e proliferação dessas células principalmente pela ação da proteína Tax que também está implicada na replicação viral. Existe um aumento importante da produção de citocinas pró-inflamatórias ou indutoras de proliferação linfocitária como IL-2, interferon-y, TNFo, IL-6 e IL-10, entre outras. Como consequência, indivíduos infectados pelo HTLV-1 apresentam maior propensão a desenvolver diversas doenças associadas a exacerbação de processos inflamatórios ou a resposta imune deficiente. Assim, há registros em portadores de HTLV-1 do aparecimento de infecções associadas ou graves como tuberculose, estrongiloidíase disseminada e sarna crostosa, entre outras. Na hanseníase, a coinfecção pelo HTLV-1 pode aumentar o risco de reação hansênica e neuropatia periférica.
O território cutâneo é um dos principais alvos do HTLV-1, uma vez que a sua presença foi demonstrada não somente nas lesões de pele do LLcTA, mas também em lesões cutâneas de soropositivos assintomáticos. Assim, não somente em pa- cientes com HAM/TSP, LLcTA, mas também em portadores considerados assintomáticos, diversas dermatoses têm sido diagnosticadas. Estudo recente em portadores assintomáticos em Salvador mostrou presença de xerodermia em 39 % destes indivíduos, micoses superficiais (incluindo onicomicose) em 30 % dermatite seborreica em 24 %, e ictiose adquirida em 5 %. Adicionalmente, a comparação com grupo soronegativo mostrou que essas manifestações são mais extensas e graves no grupo de soropositivos. Portanto, em regiões onde I, a presença dessas dermatoses, principalmente quando exacerbadas ou extensas, há maior soroprevalência de HTLV- devem sinalizar para a pesquisa do retrovírus.
Por adaptação do Dr. Leonardo Ferreira Bianquini - 20/02/2019

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